Preparo e as exigências do mercado de trabalho

Marcelo Treff, professor da PUC

Após dois anos em queda, a aposta dos economistas é de que a produção do País crescerá 2,8%, em 2018, segundo Boletim Focus, contra os 3% previstos pelo governo. E, apesar de o índice de desemprego no Brasil ter atingindo 12,2% no trimestre encerrado em janeiro de 2018 (dados IBGE e Pnad Contínua), há previsões para queda nos índices da população desocupada. Segundo projeções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa deve cair para 11,9% neste ano e 11,2% no próximo.

Concomitantemente, pesquisa realizada com dirigentes empresariais, pelo Instituto Locomotiva e pelo World Trade Center Business Club revelou que 70% dos entrevistados acreditam que o Brasil oferecerá mais chance de crescimento para as empresas e 60% preveem que o País gerará mais emprego em 2018.

O índice de confiança Robert Half aponta que otimismo de recrutadores com relação à criação de oportunidades aumentou. Para os especialistas, áreas como engenharia, finanças e contabilidade, jurídica, mercado financeiro, recursos humanos, seguros, TI e vendas e marketing estarão em destaque.

O headhunter e talent acquisition Alysson Rodrigues diz estar sentindo os reflexos desse otimismo em sua atividade, desde o último mês. Para o especialista, as ótimas vagas estão voltando aos poucos. No entanto, o grau de exigência para essas vagas, nos mais variados segmentos, é alta. Na verdade, a meu ver, essa é uma tendência irreversível no mundo do trabalho.

Assim, ao mesmo tempo em que vagas são criadas em busca de mão de obra qualificada, boa parte da nossa população sem qualificação terá cada vez menos oportunidades. O quadro se agrava quando confrontamos os dados: segundo o IBGE, nosso País ainda tem cerca de 11,8 milhões de analfabetos, o que corresponde a 7,2% da população de 15 anos ou mais.

A pesquisa revela, ainda, que cerca de 51% da população brasileira de 25 anos ou mais tem somente até o ensino fundamental completo e 26,3% o ensino médio completo. Complementar a esses dados (e mais alarmante), um estudo especial sobre alfabetismo e mundo do trabalho, do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) revelou que, no Brasil, aproximadamente 90% da população entre 15 anos e 64 anos, não é proficiente em escrita, leitura e nas habilidades matemáticas.

Fonte: Estadão